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Como tudo começou.

   

 Uma vez quando eu tinha doze anos e estávamos naquela fase da pré adolescência onde a inquietação começa a surgir, minha professora de língua portuguesa chegou na sala de aula com uma caixa grande de papelão e sem dizer nada foi colocando livros um ao lado do outro no encosto do quadro negro.

 Todos pararam para observar, bem séria como ela era pediu que prestássemos atenção quando ela chamasse nossos nomes. Um por um ela começou a chamar e dizer "Escolha um livro", e assim cada aluno no começo bem timidamente se levantou e pegou um livro. Nem preciso comentar que os mais novos, com capas coloridas e os gibis da Turma da Mônica (que eu amo demais) foram os primeiros a serem pegos.

 Fiquei totalmente desapontada quando chegou a minha vez e só tinha "livro de menino" e "livro velho", sim essa era a Nathalia de doze anos, mas eis que o "livro velho"  me levou onde eu jamais estivera antes. 

 É verdade que quando estamos na pré escola e até as primeiras fases do fundamental somos obrigados a ir até a biblioteca e pegar um livrinho infantil para nossos pais com tempo apertado ler conosco.  Essa leitura infantil é totalmente dispensada desse relato, porque quando "Oito Minutos Dentro De Uma Fotografia" se abriu para mim eu fui pega me envolvendo com aquele suspense todo.

 Era apenas um jantar e de repente o casal é transportado para uma outra época e acusados de roubo, a sala de aula desapareceu ao meu redor. Todos riam e cochichavam, mas eu me sentia  lá dentro do livro, eu estava correndo com eles tentando encontrar o verdadeiro culpado e tentando sair daquele lugar. 

 Foi a primeira vez que eu senti como se eu fosse o personagem principal. E toda vez que os vinte e cinco minutos de leitura acabavam a professora recolhia o livro. Fiquei com aquele livro por algumas semanas, pois só podíamos ler na escola e uma vez na semana.  A Nathalia de doze anos contava as horas para o momento de leitura chegar e desvendar o mistério de "Oito Minutos Dentro De Uma Fotografia".

 Quando chegava o dia da leitura continuava de onde tinha parado e mais uma vez os sons ao meu redor ficavam mudos e eu me teletransportava para dentro daquele livro velho, mas que me marcou como nenhum outro. 

 Hoje eu percebo que aquele livro fez toda diferença na minha vida, depois dele vieram outros e eu entendi que gostava mesmo era de uma boa ficção fantástica para me aventurar por lugares inventados, encontrar anjos caídos, lobisomens e vampiros, estudar numa escola de magia e sofrer uma ameaça de invasão na terra.

E tem uma frase de George R.R Martin que faz muito sentido:
"Um leitor vive mil vidas antes de morrer, o homem que nunca lê vive apenas uma."

 Espero que você encontre o livro que vá fazer com que o mundo ao seu redor fique mudo e que te leve para dentro dele.


 

Um beijo e perdoem os erros.

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